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domingo, 22 de setembro de 2013

CARICATURAS SEM SOTAQUE


No mês de maio de 2012, tentei pela primeira vez, entrar em contato com uma Desenhista Profissional. Imaginei que uma estória, com tantos personagens, seria interessante incluir no início da cada capítulo, a caricatura, dos protagonistas e coadjuvantes.
Mas infelizmente, a mineira Cristiana considerou que Gênio de Rua - Um Filme de Letras, continha sotaque e não gostou. 
Se uma estória se sucede em um determinada região, nada mais natural do que o autor procurar transcrever o pitoresco daquela região. Digamos que noventa por cento do Livro Gênio de Rua - Um Filme de Letras transcorreu no estado do Rio Grande do Sul, mais precisamente na cidade de Porto legre e no fictício Balneário Kaburé. 
O primeiro E-mail que enviei foi no mês de maio. O parágrafo inicial foi uma composição que fiz ao descobrir no Blog da Cristiana, os filmes de sua preferência. 

Balneário Gaivota, 27 de maio de 2012.

Cristiana Fonseca:

Envio esta mensagem Em Busca de um Sonho! Acessei o teu Blog e além de um
imenso talento, percebi que tens uma Mente Brilhante.
Estou escrevendo um livro. Não é similar a Lendas da Paixão e distancia-se do primeiro, quanto mais do Ultimo dos Moicanos.
O Protagonista da estória diz a todo o momento: Estou em busca de Minha Amada Imortal,
Em Algum Lugar no Passado ou Além da Eternidade.
Não há uma personagem que se assemelhe a Poderosa Afrodite e ninguém, por enquanto, é capaz de acompanhar O Pianista. Muito me comove a saga insana de Os Miseráveis, mas se encontrar o Valjean e a menina, nas linhas e entrelinhas, escondo-os no
Balneário Kaburé, em um cantinho qualquer do epílogo de @ à Quiara.

Bem, Cristiana, após um breve exercício literário, permita-me me apresentar:
Meu nome é Elton da Fontoura. Nasci em Porto Alegre, há 54 anos atrás. Atualmente resido no Balneário Gaivota, Santa Catarina.
Estou escrevendo um livro: @ à Quiara.
Moras em Uberaba! Há duas cenas na história que envolverão cidades de Santa Vitória, no triângulo mineiro, com passagem pelo PRITU de Ituiutaba, e a outra se refere à Caixa D’Água de Metal, em Pouso Alegre. Inclusive, recebi dias atrás, fotos e características da Caixa de uma amiga que mora lá. Vários contatos e pesquisas já mantive e mantenho para acrescentar à estória um ambiente real.
O Interessante é que entre os meus colaboradores, só há um que reside na Praia do Cassino aqui no RS, e sete que residem em Pouso Alegre, MG. Quando encontrei teus lindos desenhos nas imagens do Google e acessei teu Blog, percebo que é de Uberaba. Nada acontece por acaso.
Já escrevi 104 páginas em XVIII Capítulos e presumo que há muita estrada s ser percorrida.
Deves estar te perguntando o que tens a ver com isso, logicamente.
Ao visitar teu Blog, imaginei o quanto seria interessante acrescentar no Prefácio, meio ou Epílogo do livro, desenhos a lápis dos personagens. São vinte e sei atualmente.
Pensei em inserir antes de começar a estória, para que o leitor pudesse imaginar a cena com a fisionomia do personagem.
Estou te enviando em anexo, a capa que fiz e que está como papel de parede no meu computador, um meio de motivação. Nesta capa colocaremos: Ilustrações de Cristiana Fonseca.
Enviaria as características de cada um e a partir daí, tu comporias desenhos a lápis de mais ou menos cinco centímetros. Fica ao teu critério. Esta é a minha ideia inicial.
Como escrevi na primeira linha, estou em busca de um sonho.
Aposentei-me por invalidez aos 49 anos, como Professor de Informática. Tenho um aneurisma longitudinal da veia aorta. A Dilma me paga muito pouco.
Sou Escritor de primeiro livro. Inclusive comecei, considerando um hobby. Mas com o andar da carroça, tenho a convicção que será uma estória interessante e certamente será publicada. Antes de ser um renomado Escritor, o Escritor renomado beira o anonimato!
Pelo que pude constar, desenhas muito bem Cristiana. Fiquei um bom tempo admirando teus desenhos.
Pergunto: Gostarias de participar deste projeto, a principio, sem fins lucrativos?
Se quiseres, posso te enviar alguns capítulos para que avalies.
Espero que a tua resposta seja afirmativa. Se por alguma razão, não for, me notifique mesmo assim.

Desde já, muito obrigado e um grande abraço.

Eis a resposta:

Boa noite Elton,
Elton não sou escritora, apenas gosto de ler, mas sem compromisso literário, li a primeira parte que vc me enviou, somente o primeiro anexo, não li este ultimo capitulo que me enviou, e não terei tempo para lê-lo por agora. Quanto ao que li, a historia em si é interessante, embora a narrativa seja permeada por uma linguagem regionalista, o que não representa necessariamente uma aspecto negativo, uma vez que a tua ficção representa uma exposição de elementos de uma cultura local.
Quanto a descrição física dos personagens, ao longo do texto percebi relatos sucintos , portanto no meu entender faltam elementos descritivos mais profundos acerca dos personagens para um trabalho artístico. Principalmente para trabalhar a expressão de cada personagens envolvidos na trama.    

Abraços,
Cris
 

No início de Junho, respondi:

Balneário Gaivota, 09 de junho de 2012.

Cristiana Fonseca:

Arrependi-me de ter enviado o roteiro. Além de mal escrito, apesar de verídico, foi uma ação infrutífera aos meus princípios.
Escrevi às pressas e não havia sentido colocar um toque de escritor, por se tratar apenas um roteiro.
Apesar de teres achado “interessante” a história e comentado “seja permeada por uma linguagem regionalista”, inseriste no meio destas frases a palavra “embora”.  Esta palavra, embora haja controvérsia, no meu ponto de vista é parcial ou totalmente pejorativa.
Um dos livros que relacionas como preferido é “Menino de Engenho”. José Lins do Rego ao longo de sua obra, expressa um regionalismo nordestino peculiar ao contador de histórias. “Vá brincar com os moleques no copiá”! “Você precisa ficar matuto”. “Cuscuz, macaxeira, angu”. Macaxeira eu sei que é o Aipim, que denominamos aqui, mas o que é copiá, matuto, cuscuz, angu? Ele tá certo em descrever os costumes de lá. Eu ainda explico no rodapé da página o que estou escrevendo de regionalismo. Quem conta uma história, conta a história de um lugar e da gente daquele lugar. Há pouco eu escrevi o verbo “inseriste” na segunda pessoa, porque uso o “tu”. Jamais escreverei “você inseriu”, porque eu não uso “você”, eu não falo você, eu não sou das Minas Gerais que diz “Uai”! Eu digo Tchê! Tenho certa restrição em ouvir paulistas respondendo uma pergunta: “Então...” Sempre começam a resposta com “Então”. Já percebi que alguns Catarinas também.
E por falar em livros preferidos, fui conhecer tua biografia como leitora. Tu relacionas no Blog treze livros. Nove deles são de autor estrangeiro. Nada contra, mas ao leres autores estrangeiros, será necessário leres as obras no idioma original, caso contrário, estarás lendo o tradutor. Vinte a trinta por cento do texto original é literalmente adulterado, isso quando for um bom tradutor.
Também observastes que fui sucinto quanto à descrição dos personagens. Lendo “O Retrato de Dorian Gray”, não sei até o momento como é a descrição dos três rapazes que personificam as páginas da obra. Reparei que um deles está conversando com outro e o autor ocupa mais de uma página para um só personagem, transformando a conversa em um monólogo, excessivamente minucioso, profundo, analítico. Uma história é um entretenimento. Se fosse um livro técnico de Filosofia, seria compreensível.
Nesta pesquisa descobri o teu gosto literário. Agora entendo o “interessante”!
É lógico que não gostastes porque o que aprecias é o interior humano, metódico, imóvel pelo pensamento, e não o interior entreverado ao exterior. Eu gosto de livros que tenham movimento, surpresas, mistério, diálogos, ora trágicos, ora cômicos, espirituais, psicológicos, filosóficos, triviais. Um livro que conte uma história como se fosse um “filme de letras”. Por isso parei de ler o “Dorian Gray”. Por isso parei de ler “Menino de Engenho”, por não haver uma narrativa em movimento. A descrição do pai do menino, que matou a mãe e foi preso, sei que era alto, bonito e tinha um bigode. Nada, além disso. Na minha humilde opinião, são textos monótonos, que se arrastam sem aguçar o cérebro do leitor. Mas imagine se houvesse só leitores como eu. O que seria do vermelho se todos gostassem do azul.
Por isso minha amiga, não mais seremos parceiros. Agradeço teu interesse inicial, mas não vou mais roubar teu tempo. Sei que és muito ocupada e que teu dia-a-dia é para o trabalho, esposa e mãe,  e o pouco que sobra é para ler autores renomados, além-fronteiras, não um postulante à Escritor como eu. Não gostastes do meu estilo de escritor e eu não apreciei o teu estilo de leitora.
Vou continuar a minha novela.
Sempre há um chinelo velho para um pé torto.
Estás em minha lista de amigos. De vez em quanto repasso E-mails interessantes que recebo.
Um grande abraço e felicidades para ti e tua família.

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